Novo telescópio espacial da Nasa vai investigar os maiores mistérios do cosmos
Telescópio Nancy Grace Roman está pronto para decolar no fim de agosto, adiantado em relação ao cronograma original, com missão de mapear bilhões de galáxias e investigar a natureza da energia escura
CIÊNCIA E TECNOLOGIA


A Nasa se prepara para colocar em órbita um novo observatório espacial concebido para desvendar alguns dos enigmas mais complexos da astronomia contemporânea. Batizado de telescópio espacial Nancy Grace Roman, o equipamento tem como missão examinar as origens do universo, sua composição estrutural e a forma como evoluiu ao longo das eras. Segundo a própria Nasa, o lançamento está confirmado para 30 de agosto de 2026, às 7h26 (horário do leste dos Estados Unidos), a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Uma homenagem à mãe do telescópio Hubble
O observatório leva o nome de Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e uma das principais responsáveis pela estruturação do programa de exploração astronômica espacial da agência americana, conhecida informalmente como a "mãe do telescópio espacial Hubble". Ela faleceu em 2018, aos 93 anos, deixando um legado importante no entendimento estelar.
Atualmente, o equipamento passa por suas etapas finais de preparação na Flórida. Segundo blog oficial da missão publicado pela Nasa no fim de julho, a construção do telescópio já foi concluída e os técnicos avançam agora para os testes finais de checagem antes do lançamento. Segundo relatos anteriores do setor aeroespacial, onde atrasos e estouros de orçamento costumam ser comuns, a iniciativa avançou meses à frente do cronograma original e dentro do orçamento estipulado.
Uma origem pouco convencional
A gênese do projeto tem uma curiosidade pouco divulgada: o hardware principal do telescópio teve origem como um satélite espião considerado excedente pelo governo americano, cedido posteriormente à Nasa por uma agência de inteligência espacial dos Estados Unidos para ser adaptado à nova missão científica.
Em contraponto ao telescópio espacial James Webb, focado em análises minuciosas de alvos individuais específicos, o Roman foi projetado para realizar varreduras panorâmicas do céu em grande escala. Segundo a própria Nasa, o campo de visão do equipamento é pelo menos 100 vezes maior do que o do telescópio Hubble, o que deve permitir que a missão capte luz de até um bilhão de galáxias ao longo de sua vida útil.
Os dois instrumentos centrais
Para cumprir seus objetivos científicos, o Roman carrega dois instrumentos principais. O primeiro é um mecanismo de campo amplo, encarregado de captar radiação em luz infravermelha emitida pelas profundezas do espaço. Como esse tipo de luz tem comprimento de onda maior do que o da luz visível, o instrumento consegue atravessar barreiras de poeira cósmica e observar regiões mais distantes do universo.
O segundo instrumento é um coronógrafo, responsável por suprimir o brilho intenso de estrelas próximas para permitir a observação direta de exoplanetas e discos de poeira e gás ao redor de outros sóis, algo semelhante ao gesto de colocar a mão à frente dos olhos para bloquear a claridade do Sol e enxergar detalhes ao redor. Segundo a Nasa, essa combinação de instrumentos vai permitir à missão completar um censo estatístico de sistemas planetários em nossa galáxia, além de investigar questões fundamentais sobre energia escura, exoplanetas e astrofísica no infravermelho.
O papel central na busca por respostas sobre a energia escura
A cosmologia moderna se apoia em um modelo teórico segundo o qual a matéria comum, aquela que forma planetas, estrelas e a vida humana, responde por uma fração pequena de tudo o que existe no universo. O restante se divide entre matéria escura, responsável por cerca de 25% da composição do cosmos, e energia escura, que domina aproximadamente 70%.
A matéria escura não emite nem reflete luz, mas exerce forte atração gravitacional, funcionando como uma espécie de estrutura invisível que sustenta a coesão das galáxias. Já a energia escura atua como motor da expansão acelerada do universo. Por muito tempo, acreditou-se que essa força mantinha propriedades constantes ao longo do tempo, mas dados recentes de levantamentos astronômicos indicam que ela pode sofrer variações, hipótese que o telescópio Roman deve ajudar a testar com maior precisão nos próximos anos.
Um caçador de exoplanetas em larga escala
Além da cosmologia, o observatório vai conduzir o mais abrangente inventário já realizado de mundos fora do Sistema Solar, usando uma técnica chamada microlente gravitacional. O fenômeno ocorre quando a gravidade de uma estrela em primeiro plano curva e intensifica momentaneamente a luz de um astro mais distante ao fundo, funcionando como uma lente de aumento natural. Se essa estrela intermediária tiver planetas ao seu redor, a presença deles gera variações perceptíveis no brilho captado, permitindo identificar exoplanetas em órbitas amplas, de massa reduzida e até corpos errantes sem vínculo gravitacional com nenhuma estrela.
O Roman deve atuar em conjunto com outras iniciativas internacionais, como a missão Euclid, da Agência Espacial Europeia, e o Observatório Vera C. Rubin, instalado no Chile, além de trabalhar em cooperação direta com o telescópio James Webb, mapeando tendências em larga escala que poderão ser investigadas em alta resolução pelo telescópio parceiro.
Fonte: NASA Science — Nancy Grace Roman Space Telescope
Imagem: Portal Aureum

Vídeo: Material oficial da NASA apresenta o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman e explica como a missão poderá transformar a compreensão sobre a origem, a evolução e a estrutura do Universo.
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