"Lua de sangue" quase perfeita: eclipse lunar de 96% cobrirá o céu do Brasil na noite de 27 de agosto

Evento astronômico será visível em praticamente todo o território brasileiro, sem necessidade de equipamentos especiais, e marca o eclipse mais profundo do mundo desde 2024

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

8/18/20263 min ler

Na noite de 27 de agosto, avançando para a madrugada do dia 28, o céu brasileiro vai ganhar um espetáculo raro: um eclipse lunar parcial tão profundo que quase se transforma em um eclipse total. Segundo a Nasa, a Lua Cheia vai atravessar a sombra da Terra, escurecendo e ganhando um tom avermelhado e acobreado, visível a olho nu em praticamente toda a América do Norte e do Sul, além de partes da Europa e da África.

Um eclipse quase total, mas tecnicamente parcial

De acordo com dados compilados pelo site especializado Space.com, cerca de 96% do disco lunar ficará coberto pela sombra mais escura da Terra, chamada umbra, durante o pico do fenômeno. A Nasa confirma que, no momento de maior intensidade, aproximadamente 93% do diâmetro da Lua estará dentro dessa sombra central, deixando apenas uma fina fatia iluminada diretamente pelo Sol na borda do satélite. Esse detalhe faz com que o evento seja tecnicamente classificado como um eclipse lunar parcial, mesmo criando um efeito visual dramático muito próximo ao de um eclipse total.

Segundo o observatório digital The Sun Today, esse será o quarto capítulo de uma sequência excepcional de eclipses lunares entre 2025 e 2026, ficando por muito pouco de fora da categoria de tétrade, nome dado a quatro eclipses totais consecutivos. Ainda assim, os astrônomos classificam o evento como o eclipse lunar mais profundo do mundo desde setembro de 2024, e o mais intenso até o próximo eclipse total, previsto apenas para dezembro de 2028.

Horários e visibilidade no Brasil

Segundo o site especializado em observação astronômica Star Walk, o pico do eclipse, quando a cobertura da Lua atinge seu ponto máximo, deve ocorrer por volta da 1h12 (horário de Brasília) da madrugada de sexta-feira, 28 de agosto. O evento completo, do início ao fim, tem duração aproximada de 5 horas e 38 minutos, segundo o portal americano Weather.com.

A boa notícia para o público brasileiro é que o país está entre os melhores pontos do planeta para observar o fenômeno por completo. Segundo o Star Walk, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília vão acompanhar o eclipse do início ao fim, com a Lua bem alta no céu durante o momento de maior escurecimento, o que dispensa a necessidade de buscar um horizonte desobstruído. Segundo o site Space.com, o interior do território brasileiro está estatisticamente entre as regiões do mundo com maior probabilidade de céu limpo durante o evento, ao lado do oeste dos Estados Unidos e do norte do Chile.

A ciência por trás da cor avermelhada

O fenômeno que faz a Lua ganhar essa coloração acobreada tem explicação puramente física. Durante o eclipse, a Terra se posiciona exatamente entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz solar direta que normalmente reflete na superfície lunar. Mas, em vez de a Lua desaparecer completamente na escuridão, a atmosfera terrestre filtra a luz solar que ainda consegue contorná-la, dispersando os comprimentos de onda azuis e deixando passar principalmente as tonalidades avermelhadas e alaranjadas, o mesmo princípio óptico responsável pelo colorido dos pores do sol. Esse efeito, batizado tecnicamente de dispersão de Rayleigh, faz com que uma fina camada de luz solar filtrada pela atmosfera da Terra continue projetada sobre a superfície lunar, mesmo durante o auge da sombra.

Diferentemente de um eclipse solar, observar um eclipse lunar não representa nenhum risco aos olhos. Segundo a própria Nasa, o fenômeno pode ser acompanhado a olho nu, sem qualquer necessidade de óculos especiais, filtros ou equipamentos de proteção, embora binóculos ou um telescópio simples ajudem a revelar com mais nitidez a curvatura da sombra terrestre avançando sobre o disco lunar.

Um raro eclipse solar que não passará pelo Brasil

Duas semanas antes do evento lunar, em 12 de agosto, o mundo também testemunhou um eclipse solar total, que cruzou o norte da Rússia, a Groenlândia, a Islândia e uma pequena porção do norte da Espanha e de Portugal, com visibilidade parcial em partes dos Estados Unidos. Diferentemente do eclipse lunar de fim de mês, esse evento solar não foi visível em nenhum ponto do território brasileiro nem da América do Sul, já que a estreita faixa de sombra projetada pela Lua sobre a Terra durante um eclipse solar total percorreu exclusivamente regiões do Hemisfério Norte.

Fonte: NASA Science — What's Up: August 2026 Skywatching Tips from NASA

Imagem: Portal Aureum

Imagem: Pixabay

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